segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Todos precisam de aprovação social

Diversos textos abordam os temas passividade e agressividade. De modo geral sabemos que o ideal é sempre o caminho do meio, nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Difícil mesmo é ficar no caminho do meio - a assertividade. Talvez realmente essa perfeição não exista e nem mesmo deveria existir, porque uma vida perfeita seria pouco desafiadora. Este é um texto dedicado a refletir sobre o porquê agimos e o que estamos buscando com nossos comportamentos.

Esta reflexão não é exatamente para achar um perfil perfeito e adequado, mas sim para analisar como agimos em função de outras pessoas. Na maioria das vezes não percebemos que agimos desta forma. Normalmente quando deixamos de falar algo, fazemos isso para evitar a reação negativa de alguém. Podemos pensar que simplesmente não estamos interessados em falar por cansaço, preguiça ou por puro desinteresse no outro. É realmente possível que essas sensações inibam o ato de falar, mas quando desejamos falar e acabamos não falando houve um desejo que não foi satisfeito. Nesta situação aparece a esquiva, o recuo, o receio. É exatamente nessas situações que enquadramos as atitudes tímidas.




O correto não é chamar uma pessoa de tímida, mas sim falar de atitudes tímidas. Afinal, todas as pessoas se comportam de acordo com o contexto social. Quando a atitude se torna frequente é natural que rótulos comecem a ser colocados: tímidos, agressivos, extrovertidos, etc. O perfil da pessoa tímida é semelhante a reação da tartaruga. A proteção que ela encontra para não ser rejeitada ou avaliada pelos outros é recuar para dentro do casco. Ela deixa de emitir um comportamento por medo da consequência negativa. Normalmente essa pessoa pensa demais no que os outros pensam e que na verdade são projeções do que ela mesma pensa que os outros possam estar pensando. Quantos pensamentos! Complicou? Pois é simples: a preocupação do tímido é a possibilidade do outro pensar o que ele mesmo pensa. Ele levanta uma hipótese negativa e vive mais dentro desse mundo irreal do que na realidade.

“Com medo que o outro pense que eu sou chato, simplesmente não falo.”

O tímido acaba optando por ter apenas um rótulo ao invés de diversas avaliações. Ele prefere ser visto como calado, envergonhado, tímido, do que se colocar à prova da avaliação de outras pessoas. Há, portanto, uma demasiada preocupação com a aceitação de outras pessoas. Um trabalho terapêutico consiste em melhorar a autoestima para que a pessoa reconheça suas qualidades e entenda que nas relações humanas as pessoas farão avaliações positivas e negativas. Nunca seremos 100% aceitos e admirados.

Há uma grande sensibilidade do tímido ao erro. Existe uma falsa crença de perfeição que o impede de tentar por medo de errar. Esse medo de errar inibe principalmente novos comportamentos. A ideia de perfeição é um pensamento irracional, pois o próprio tímido verifica que as pessoas de um modo geral não são 100% aprovadas. Quando ele percebe o erro dos outros acaba sendo amigável. Gosta de conviver com pessoas espontâneas que sabem rir de suas falhas, mas por que não consegue agir do mesmo modo?

Estudos sobre o funcionamento do cérebro já demonstraram o poder da imaginação no direcionamento de nossas ações. Um pensamento negativo, mesmo que irreal, pode inibir um comportamento. Em determinados transtornos psicológicos, apenas a possibilidade de alguma situação negativa pode antecipar uma sensação ruim causando reações físicas semelhantes à realidade. É como se o evento já estivesse ocorrendo. Ou seja, o fato de imaginar uma situação negativa já é suficiente para inibir um comportamento ou causar reações de vergonha ou medo.  Avaliando pessoas tímidas, não encontramos necessariamente um histórico de reprovações sociais, nem de humilhações sociais vividas na infância ou adolescência. 

Como todas as nossas ações estão vinculadas à necessidade de aprovação social, até mesmo a pessoa mais confiante e extrovertida pode estar agindo em função de agradar aos outros. Mesmo que o extrovertido não perceba ou admita, ele também age em busca de aprovação social.

Neste caso, a extroversão excessiva pode ter sido desenvolvida para atrair aprovação alheia. É exatamente a postura de um pavão. Humoristas, palestrantes apresentadores ou apenas pessoas agradáveis e falantes conduzem sua comunicação pensando em agradar. Quando uma pessoa se expressa com facilidade e habilidade social ela pode ou não ter uma boa autoestima. Se esta pessoa consegue discordar, lidar com desaprovações ou erros é provável que ela esteja disposta a ser desaprovada em alguns momentos para manter suas ideias e posições ativas. Se esta mesma pessoa consegue discordar sem entrar em conflitos, podemos avalia-la como socialmente habilidosa. Se esta pessoa fala muito, faz todo mundo rir, mas não discorda nunca de ninguém com receio de ser rejeitada, fica perceptível a maior necessidade de aprovação social. 

No outro extremo existem as pessoas agressivas ou “duras” nas interações sociais. Um extrovertido também pode ser agressivo, assim como alguns tímidos podem ser agressivos em alguns momentos. A atitude agressiva é a semelhante a do escorpião que provoca medo e receio. De um modo geral são pessoas que alimentam a ideia de autoconfiança e autoestima elevada. Podem ser excessivamente julgadoras, especialistas em encontrar defeito nos outros. É tentador afirmar que tais pessoas não sentem necessidade de aprovação social, pois brigam, são menos carentes de atenção e acreditam em si mesmas. Pois no outro extremo do modelo tartaruga, as pessoas de estilo escorpião podem ser pessoas que desenvolveram uma falsa ideia de superioridade para evitar sensações negativas provenientes da avaliação alheia. Ou seja, se eu acredito fortemente que estou sempre certo e sou mais inteligente, passo a acreditar que todos deveriam seguir minhas ordens e assim passo a ignorar pessoas que questionem minhas opiniões ou habilidades. Tais pessoas tornam-se autocentradas e, da mesma forma que o passivo acredita em pensamentos irreais de inferioridade, o agressivo acredita nos pensamentos irracionais de superioridade. A diferença mais marcante é que o agressivo tende a não enxergar sua necessidade de aprovação social. 

O agressivo também pode ser alguém preocupado com seus erros e imperfeições, porém adota uma postura arrogante que inibe que os outros lhe façam críticas ou avaliações negativas. Ele vende uma ideia de poder visando que outro o admire e até o inveje, mas jamais o questione. O agressivo tende a conviver com pessoas que se submetem a sua personalidade e evita aquelas que possam abalar suas crenças de superioridade. De um lado ou de outro a necessidade humana de destaque, perfeição, sucesso e aceitação é o motor de tais condutas.

Todos nós necessitamos de aprovação social, sem exceção. Todos nós sentimos vontade de ter sucesso, inteligência e habilidades especiais. O grande problema desse mecanismo é quando esta necessidade nos coloca em ações negativas como passividade, agressividade ou exibicionismo/passivo – aquele onde sou fantástico socialmente, mas não consigo expressar minhas opiniões discordantes. 

Particularmente, considero o caso mais complicado para convivência social o perfil agressivo, pois pela falsa crença de superioridade ele não admite a necessidade do outro e nem aceita críticas ou discordâncias. Pessoas agressivas demoram a buscar ajuda terapêutica e possuem um julgamento de que apenas são exigentes. Esse perfil é o que mais perturba no trabalho, pois não sabe identificar que gosta de ser visto como alguém implacável, que não aceita erros, que é melhor do que todos. Cada erro alheio alimenta sua ideia de superioridade. Ele gosta de ressaltar os  erros para que ele possa se sobressair. Muitos diretores de empresas e pessoas bem sucedidas podem incidir neste comportamento negativo. Quando essas pessoas possuem sucesso ou poder financeiro elas aumentam ainda mais as crenças de superioridade e negam muito mais suas dificuldades de relacionamento.

A análise comportamental é fundamental para que possamos conhecer nossa forma de agir nos ambientes e começar a alterar condutas que estão exageradas. Mesmo que muitas pessoas afirmem não se importarem com a opinião dos outros, precisam sim de algum nível de aprovação social. O agressivo necessita de passivos para que ele possa comandar ou intimidar, o tímido precisa do extrovertido que possa aparecer mais do que ele e assim protegê-lo da exposição, o extrovertido precisa do sorriso e do elogio dos seus próximos. Equilibrar nossa conduta é fundamental para manter a saúde mental. Quando não possuímos humildade para verificar exageros podemos nos tornar pessoas difíceis, inconvenientes, críticas e arrogantes.
Os chamados tímidos incomodam muito menos, porém causam um sofrimento intenso para eles mesmos e limitam muito as chances de um agradável convívio social. Neste caso, até mesmo o sucesso profissional pode ser prejudicado, já que muitas vezes é necessária a expressão verbal e o trabalho em equipe.

Essa foi uma pequena reflexão, apenas para demonstrar algumas tendências comportamentais rígidas, que trazem muitos prejuízos sociais. Devemos lembrar sempre que o ser humano é bastante complexo e as reações emocionais são bem variadas. Cada um possui uma composição única de respostas comportamentais que torna cada indivíduo diferente um do outro.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ética e Prática do Gestor - Rubens Portugal


Mais um texto da série em homenagem ao Rubens Portugal. Educador e Líder exemplar que deixou textos com linguagem simples e de grande significado para educadores. Texto utilizado nos trabalhos em grupo realizados em Faxinal do Céu- PR. Escrito em  10 de fevereiro de 2001.


ÉTICA & PRÁTICA DO GESTOR:

                                              educador de educadores
                                                                                                                          RUBENS PORTUGAL

Ela não se lembra com exatidão quando foi que pensou pela primeira vez em ser Diretora. Os colegas começaram a falar: “em você eu voto". Em casa também disseram: “poxa, dá para melhorar o salário, né...afinal você merce, tão esforçada”. 


O Poder poderia ser representado por duas irmãs de mãos dadas: uma sempre olhando para cima com um sorriso de quem está encantada com alguma coisa e a outra olhando para baixo com o cenho cerrado.  A primeira é chamada de Miranda do Poder. A outra, de Credanda do Poder.  Estas duas irmãs existem dentro de todos nós. Dentro da nossa alma. Nas pessoas mais ambiciosas, a Miranda é mais dominante.  A Credanda tem sua vez dentro dos indivíduos mais comedidos e cautelosos. Além disso, esse jogo de forças varia conforme a idade.

A Miranda é a deusa que instiga as pessoas a querer subir, galgar cargos, postos, nas alturas do poder. A Credanda é introspectiva e prudente, interessa-se pelo que pode ser feito por alguém que já tenha o Poder.

Don Juan, o índio feiticeiro, da “Erva do Diabo” de Carlos Castañeda, disse em certo momento que o homem atravessa três fases na vida. Na primeira, não tem poder e nem saber. Na segunda, a mais perigosa, já tem poder e ainda não tem saber. Na terceira, em que pode se salvar, reúne poder e saber.

O primeiro problema que se passa com um novo Gestor na Educação é quando já tem o poder e ainda não tem o saber. Porque se deixou encantar pela Miranda do Poder e não deu ouvidos à Credanda.

Chegar ao Poder é coisa que está no campo das artes da Miranda. Exige habilidade política para prometer, acertar, ajustar, aliar-se e fazer conjuras. É tão difícil que muitas vezes não sobra tempo e nem energia para ouvir a Credanda, ou seja, pensar NO QUE FAZER quando lá chegar.

A Miranda do Poder é uma deusa que está sempre sussurrando: aceita! Negocia! Promete! Vende a alma ao diabo!  No mínimo,  hipoteca-a! Depois se dá um jeito !

E quanto mais a Miranda prevalece e é ouvida, mais a Credanda se desespera e fica carrancuda.  Zangada.

No dia da posse, a Credanda é chamada para se sentar no lugar de honra, do lado direito do novo Diretor. Durante a cerimônia, fica o tempo todo recitando baixinho os versos de Carlos Drummond de Andrade:“e agora, José ?A festa acabou...”

A Credanda tem muito mais para nos ensinar quando queremos conhecer os motivos que levam um Gestor a agir desta ou daquela forma. Foi a Credanda que nos lembrou de que deveríamos ler o “Autoengano”, obra de Psicologia de autoria do brasileiro de Minas Gerais, Eduardo Gianetti da Fonseca, Doutor em Economia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Ele mostra como e porque tomamos caminhos errados enganando-nos e porque somos influenciados pelos sussurros da Miranda e não pelas “broncas” da Credanda.

Há uma série de coisas que precisam ser colocadas no dia da posse do novo Diretor de Escola. Ou Diretora, é claro. Lá na terra do Eduardo Gianetti, eles costumam dizer que o marido tem de “matar o galo” na primeira noite... porque se não o fizer  na primeira noite, não o fará nunca mais.


A Credanda nos diz que, no ato da posse, o Diretor tem de firmar um contrato íntimo consigo mesmo:

·         não posso obrigar ninguém a me amar, mas posso fazer com que me respeitem;

·         só serei respeitado se EU respeitar os outros;

·    as regras são claras e iguais para todos: manter um pequeno grupo de íntimos que fiquem dispensados das exigências, é desrespeito para com os demais e por isso, para que eu seja respeitado, terei de tratar todos com os mesmos pesos e mesmas medidas;

·         todas as manhãs, vou tomar uma colher de sopa de franqueza e outra de gentileza;

·         o Diretor não será respeitado se for incompetente;

·   no reverso da medalha, ninguém consegue livrar-se das “bolhas de ignorância” porque as informações são em maior número do que conseguimos absorver;

·         tenho de estabelecer que a minha primeira competência é a sinceridade de dizer NÃO SEI   e, em seguida Tu me ensinas ?  Ou, então, vamos juntos aprender o certo?

·         por isso, a minha atitude é uma paráfrase de ditado muito conhecido: “Nunca deixes para depois o que podes aprender agora, já”.

·         NÃO SEI, MAS VOU APRENDER e é para já.

A CREDANDA É QUE NOS ENSINA QUE O GESTOR NA EDUCAÇÃO É UM EDUCADOR DE EDUCADORES.  Por isso, tem de começar educando-se a si mesmo.

·       Liderança é algo ligado à expedição, viagem, deslocamento para algum ponto no futuro.  O ponto no futuro é o Objetivo principal da Escola, que precisa estar latejando dentro de toda a equipe, em uníssono. Donde se conclui que todos devem participar na definição do grande objetivo da equipe.  Para que todos se sintam “donos” do objetivo.

·         Só é líder quem sabe para onde a expedição tem de ir.

·     Todo Diretor novo tem um PRAZO para descobrir onde é o ponto futuro para onde vai querer levar a expedição. (Tudo isso, é óbvio, está em linguagem figurada que é clara para um certo tipo de gente mas não para uma  minoria... 40%)

·         Se ele não definir o destino da expedição dentro do PRAZO vai continuar Diretor, mas não será líder.

·      A primeira condição para um Diretor conseguir descobrir o ponto futuro é querer. Isso se apresenta aos olhos de “todoomundo” de forma escandalosamente clara, porque há coisas que ninguém esconde de ninguém. Uma delas é estar apaixonado. Outra é não ter ainda o ponto futuro de uma gestão. Então, como isso não vai ficar oculto, é melhor abrir o jogo de forma escancarada: “vamos lá, "todoomundo", vamos trocar idéias até descobrirmos JUNTOS o nosso ponto futuro”.

·        Na cadeira do Poder, há um botão igual àquele que tem em porta de geladeira e de automóvel.  Aquele que, quando a porta fecha, desliga uma lâmpada. Quando o professor se senta na cadeira do Poder, por ter sido nomeado Diretor, o peso do seu corpo comprime aquele botão que lhe desliga, automaticamente, o ouvido. (Quando o indivíduo é sabido, senta de banda e continua com o ouvido ligado).

·         Qual a competência mais essencial para ser um Diretor bem sucedido? Não é saber inglês. Não é saber todas as Leis de memória. É ser capaz de OUVIR.

·         OUVIR. Significa que quando alguém chega, o Diretor olha nos olhos e seu coração diz assim: “eu quero compreender você bem no fundinho...” Aquilo que o coração disse, sobe e aparece na “televisão” do rosto dele e é percebido com total clareza pela tal pessoa que chegou. E, ouvir até o fim, calmamente, sem interromper o que está falando. E pedir mais esclarecimentos. E perguntar assim: “vamos ver se compreendi bem; você está me dizendo que...” Toda a arte está em dizer o que a pessoa disse com OUTRAS PALAVRAS, mostrando que compreendeu tanto que até é capaz de dizer com outras palavras.

Quando um Diretor está possuído desse tipo de atitude, não há ninguém que o desrespeite. Por quê? Porque não há prova melhor de respeito do que QUERER OUVIR.

·         Quando um Diretor consegue descobrir o ponto futuro para onde tem de levar a expedição, aí sua ação de liderança fica mais fácil. AGORA EU JÁ SEI PARA ONDE QUERO IR.

·         Agora, é só organizar o time (equipe) colocando a pessoa certa no lugar certo.

·      Todos tem virtudes e defeitos. Um dos segredos da liderança é só procurar VER as virtudes de cada um. Em outras palavras mais grosseiras: descobrir para o quê cada um SERVE.

·     Não adianta querer massagear um belo touro de pura raça  para transformá-lo em cavalo de corrida. É um erro muito freqüente insistir  numa certa pessoa para uma certa função para o qual ela não serve.  Não só é perda de tempo como deixa a pele do “touro” irritada. As mãos do massagista, também.

·         Mesmo sendo cavalo de corrida, no entanto, qualquer pessoa tem limitações. Isso quer dizer que nunca devemos dar uma missão impossível, além das possibilidades de alguém.  Afinal, o boi consegue tracionar maior peso, em marcha lenta. O cavalo é destinado à velocidade, com carga leve. Ambos têm suas vantagens e suas deficiências.  Assim, também, as pessoas: o bom gestor preocupa-se em VER e APROVEITAR sempre o que há de melhor em cada colaborador.  Não fica “escarafunchando” os defeitos que isso é até mais fácil e nada construtivo.

·    Há pessoas que querem comandar dando ordens taxativas e pensando que isso reforça a sua liderança. Puro engano. A melhor maneira de conseguir que as coisas aconteçam é fazendo perguntas.

·         Porque não adianta eu apontar o revólver para uma galinha e exigir que ela ponha um ovo, JÁ!

·     Todos os seres humanos querem acertar como as galinhas querem botar ovos. (Já viu galinha tomar pílula anti-ovos?) O que acontece é que tanto os ovos precisam de tempo e cálcio para endurecer a casca e ficar prontos para sair, como os HOMENS precisam de tempo e informações para ficar com vontade de botar seus ovos, ou seja, produzir coisa que preste.

·         Garantido: tanto a galinha quanto o HOMEM gostam que elogiem seus ovos.

·      É uma falácia dizer que elogio estraga. O que estraga é elogio demagógico que é feito num sentido de bajulação do subordinado. O verdadeiro líder não precisa DIZER com palavras um elogio. Basta olhar com atenção e o seu coração dizer que apreciou a coisa produzida. A pessoa SABE QUE AGRADOU. Basta o gesto simples que comprova que prestou atenção, mas não pode faltar essa sinalização.

·         Tudo o que é meritório tem de ser proclamado, sim, em público.

·      Para que todos saibam que o líder não tem ciúme das proezas dos seus liderados. Tem orgulho deles.

·         A proeza bem sucedida é sempre obra de alguém que não o líder. Pode ser de uma equipe, e um grupo, de um setor, mas nunca dele.

·         Os erros, fracassos, vergonheiras. Ah! Esses, ele absorve só para ele. Porque o líder é responsável por tudo o que acontece OU DEIXA DE ACONTECER numa escola.

·         Há Diretores que querem tirar proveito do cargo para vários tipos de exercício de vaidades e de abusos de Poder.

·         Os verdadeiros Diretores líderes, aqueles que são inesquecíveis, são os que só se preocupam em FAZER alguma coisa que tenha valor para as suas crianças. Sem se preocupar com mais nada.

·        Não confundir dilema (uma coisa exclui a outra) com dualidade (duas coisas diferentes que se completam).

·    Os grandes e inesquecíveis Diretores de Escolas são os que conseguem combinar duas coisas aparentemente antagônicas, mas que se completam: - a bondade (amor) e a severidade (senso de dever). Eis aí uma bela dualidade construtiva.

  
Em todos os tipos de atividades humanas tem de haver alguma coisa mais decisiva, mais importante, mais essencial.  Dentro de uma escola, a coisa mais importante não é a limpeza, a segurança, a burocracia, os equipamentos, a biblioteca.  A coisa mais importante é o que acontece dentro da criança no momento em que ELA se defronta com algum desafio e tenta superá-lo.   O verdadeiro gestor na educação é aquele que se preocupa com esse pequeno detalhe e todos os dias vai até onde está alguma criança a fim de conversar com ela e saber como vai indo a sua caminhada no rumo da vida.


Numa escola, pois, a HORA DA VERDADE é o que acontece dentro de cada criança no instante em que se defronta com algum obstáculo, dificuldade, problema, desafio.  E essa dificuldade tanto pode ser intelectual quanto afetiva ou emocional.  Tanto pode ter sido criada dentro da sala de aula, pelo professor, na intenção de desafiá-la, quanto pode ter se originado no lugar onde a criança costuma dormir que tanto pode ser um lar bem estruturado quanto um amontoado de pessoas que apenas convivem e sobrevivem num ambiente miserável.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Doença de Alzheimer

O envelhecimento implica em uma série de perdas emocionais e físicas. Envelhecer com saúde requer disciplina e cuidados especiais que começam na fase adulta. Atualmente algumas doenças neurológicas proporcionam quadros ainda mais difíceis como o caso do Alzheimer. Conhecer a doença e seus sinais é fundamental para retardar a evolução do quadro. Problema de memória é uma característica que deve estar presente para o diagnóstico deste ou de qualquer outro tipo de demência.  Outras mudanças também devem estar presentes: alterações de linguagem, na tomada de decisões, julgamento, atenção e outras áreas relacionadas a funções mentais e de personalidade. A taxa de progressão varia de pessoa para pessoa. Se o mal de Alzheimer surgir de repente, é provável que progrida rapidamente.  Se seu surgimento é brando, é provável que se instale lentamente.

O treinamento dos cuidadores e familiares também se faz necessário, pois o quadro é bastante exaustivo. O familiar precisa aprender a lidar com a perda emocional e adquirir ferramentas de controle do estresse causado pela confusão mental do portador de Alzheimer, principalmente em idades mais avançadas. 

Na minha prática clínica combino o tratamento do idoso com Alzheimer através de estimulação neuromotora com profissionais de fisioterapia e educação física e o suporte ao familiar com treinamento, organização de rotinas, técnicas de controle do estresse e escuta terapêutica. 

Indico o site da associação brasileira de Alzheimer para conhecimento dessa doença que necessita de cuidados especiais e envolve toda a família. Caso queira mais informações para atendimentos nessa área entre em contato pelo e-mail: portesr@yahoo.com.br



foto: http://saude.hsw.uol.com.br/alzheimer.htm


Texto da associação brasileira de Alzheimer:

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. Quase todas as suas vítimas são pessoas idosas. Talvez, por isso, a doença tenha ficado erroneamente conhecida como “esclerose” ou “caduquice”.
A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.
Seu nome oficial refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença, em 1906. Ele estudou e publicou o caso da sua paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem (com dificuldade para compreender e se expressar), tornando-se incapaz de cuidar de si. Após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença.
Não se sabe por que a Doença de Alzheimer ocorre, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características dessa doença. As duas principais alterações que se apresentam são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral.
Estudos recentes demonstram que essas alterações cerebrais já estariam instaladas antes do aparecimento de sintomas demenciais. Por isso, quando aparecem as manifestações clínicas que permitem o estabelecimento do diagnóstico, diz-se que teve início a fase demencial da doença.
As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea. As áreas comumente mais atingidas são as de células nervosas (neurônios) responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas. Outras áreas tendem a ser atingidas, posteriormente, ampliando as perdas.
Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Fonte: http://abraz.org.br/sobre-alzheimer/o-que-e-alzheimer

domingo, 31 de agosto de 2014

Entrevista com Doris Moreno - De frente com Gabi

Entrevista com a psiquiatra Doris Moreno sobre Transtorno Bipolar e suicídio.

Psiquiatra Doris Moreno fala sobre depressão e saúde mental no De Frente com Gabi


Publicado em 28/8/2014

No De Frente Com Gabi deste domingo, 31 de agosto, Marília Gabriela recebe a psiquiatra Doris Moreno para falar sobre temas relacionados à saúde mental, como o transtorno bipolar, a depressão e o suicídio. Ela comenta ainda na entrevista sobre casos como o do ator americano Robin Williamsonde o humor escondeu sintomas de depressão e explica como eles poderiam ter sido identificados.



Confira as melhores frases da entrevista:

• As taxas de mortalidade por todas as doenças crônicas estão caindo, menos suicídio, que é maior do que a taxa de homicídios.
• 70% dos suicídios no mundo têm algum histórico de transtorno mental.
• Robin Williams aparentemente morreu pelo preconceito que ele mesmo tinha. O fato da pessoa não aceitar que tem depressão.
• O preconceito (com a depressão) vem desde os profissionais que atendem em prontos-socorros e ambulatórios.
• Depressão e transtorno bipolar têm uma carga genética grande.
• Muitos pacientes com depressão se medicam com álcool e só pioram. É como um estilingue.
• O número de suicídios cresceu 45% nos últimos 20 anos.
• Não existem exames preventivos. Isso implicaria em exames genéticos e ainda estamos engatinhando nesse sentido. O que existe é um alerta para a identificação dos sinais.
• Falta divulgação, conhecimento e falta perder o preconceito para procurar um tratamento.
• Depois da dor lombar, a depressão é a segunda maior causa de incapacitação no Mundo.

http://www.sbt.com.br/defrentecomgabi/noticias/14769/Psiquiatra-Doris-Moreno-fala-sobre-depressao-e-saude-mental-no-De-Frente-com-Gabi.html#.VAPvzWObiPU


Psiquiatra Doris Moreno fala sobre depressão e saúde mental no De Frente com Gabi; veja frases

No De Frente com Gabi deste domingo, 31 de agosto, Marília Gabriela recebe a psiquiatra Doris Moreno para falar sobre temas relacionados à saúde mental, como o transtorno bipolar, a depressão e o suicídio. Ela comenta ainda na entrevista sobre casos como o do ator americano Robin Williams, onde o humor escondeu sintomas de depressão e explica como eles poderiam ter sido identificados.
 Foto: Carol Soares/SBT

Confira as melhores frases da entrevista:


· As taxas de mortalidade por todas as doenças crônicas estão caindo, menos suicídio, que é maior do que a taxa de homicídios.
· 70% dos suicídios no mundo têm algum histórico de transtorno mental.
· Robin Williams aparentemente morreu pelo preconceito que ele mesmo tinha. O fato da pessoa não aceitar que tem depressão.
· O preconceito (com a depressão) vem desde os profissionais que atendem em prontos-socorros e ambulatórios.
· Depressão e transtorno bipolar têm uma carga genética grande.
· Muitos pacientes com depressão se medicam com álcool e só pioram. É como um estilingue.
· O número de suicídios cresceu 45% nos últimos 20 anos.
· Não existem exames preventivos. Isso implicaria em exames genéticos e ainda estamos engatinhando nesse sentido. O que existe é um alerta para a identificação dos sinais.
· Falta divulgação, conhecimento e falta perder o preconceito para procurar um tratamento.
· Depois da dor lombar, a depressão é a segunda maior causa de incapacitação no Mundo.
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Psiquiatra Doris Moreno fala sobre depressão e saúde mental no De Frente com Gabi; veja frases

No De Frente com Gabi deste domingo, 31 de agosto, Marília Gabriela recebe a psiquiatra Doris Moreno para falar sobre temas relacionados à saúde mental, como o transtorno bipolar, a depressão e o suicídio. Ela comenta ainda na entrevista sobre casos como o do ator americano Robin Williams, onde o humor escondeu sintomas de depressão e explica como eles poderiam ter sido identificados.
 Foto: Carol Soares/SBT

Confira as melhores frases da entrevista:


· As taxas de mortalidade por todas as doenças crônicas estão caindo, menos suicídio, que é maior do que a taxa de homicídios.
· 70% dos suicídios no mundo têm algum histórico de transtorno mental.
· Robin Williams aparentemente morreu pelo preconceito que ele mesmo tinha. O fato da pessoa não aceitar que tem depressão.
· O preconceito (com a depressão) vem desde os profissionais que atendem em prontos-socorros e ambulatórios.
· Depressão e transtorno bipolar têm uma carga genética grande.
· Muitos pacientes com depressão se medicam com álcool e só pioram. É como um estilingue.
· O número de suicídios cresceu 45% nos últimos 20 anos.
· Não existem exames preventivos. Isso implicaria em exames genéticos e ainda estamos engatinhando nesse sentido. O que existe é um alerta para a identificação dos sinais.
· Falta divulgação, conhecimento e falta perder o preconceito para procurar um tratamento.
· Depois da dor lombar, a depressão é a segunda maior causa de incapacitação no Mundo.
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Psiquiatra Doris Moreno fala sobre depressão e saúde mental no De Frente com Gabi; veja frases

No De Frente com Gabi deste domingo, 31 de agosto, Marília Gabriela recebe a psiquiatra Doris Moreno para falar sobre temas relacionados à saúde mental, como o transtorno bipolar, a depressão e o suicídio. Ela comenta ainda na entrevista sobre casos como o do ator americano Robin Williams, onde o humor escondeu sintomas de depressão e explica como eles poderiam ter sido identificados.
 Foto: Carol Soares/SBT

Confira as melhores frases da entrevista:


· As taxas de mortalidade por todas as doenças crônicas estão caindo, menos suicídio, que é maior do que a taxa de homicídios.
· 70% dos suicídios no mundo têm algum histórico de transtorno mental.
· Robin Williams aparentemente morreu pelo preconceito que ele mesmo tinha. O fato da pessoa não aceitar que tem depressão.
· O preconceito (com a depressão) vem desde os profissionais que atendem em prontos-socorros e ambulatórios.
· Depressão e transtorno bipolar têm uma carga genética grande.
· Muitos pacientes com depressão se medicam com álcool e só pioram. É como um estilingue.
· O número de suicídios cresceu 45% nos últimos 20 anos.
· Não existem exames preventivos. Isso implicaria em exames genéticos e ainda estamos engatinhando nesse sentido. O que existe é um alerta para a identificação dos sinais.
· Falta divulgação, conhecimento e falta perder o preconceito para procurar um tratamento.
· Depois da dor lombar, a depressão é a segunda maior causa de incapacitação no Mundo.
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Transtorno Borderline - Erlei Sassi

Entrevista com o psiquiatra Erlei Sassi sobre Transtorno Borderline:


6/07/2011 às 19:15 \ Vídeos: Entrevista

Erlei Sassi, psiquiatra e psicoterapeuta: “O transtorno borderline tem cura. Os sintomas podem ser controlados até desaparecerem”

 


Impulsivos, intolerantes, angustiados, depressivos. Essas são algumas características do borderline, um transtorno de personalidade localizado na fronteira entre a psicose e a neurose. O psiquiatra e psicoterapeuta Erlei Sassi, coordenador do Ambulatório Integrado dos Transtornos de Personalidade e do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, estuda o distúrbio há 15 anos.


Nesta entrevista, Sassi conta como é complicado, tanto para o paciente, quanto para a família e o próprio médico, enfrentarem essa doença que pode resultar em automutilação, sensação crônica de vazio e medo do abandono. Uma notícia boa: o borderline pode ser curado. O tratamento inclui medicamentos, terapia e o apoio de familiares. “Os sintomas diminuem com a idade e costumam desaparecer completamente entre os 30 e 40 anos”, comemora Sassi. Também por isso, é importante que o portador da disfunção consiga evitar perdas irreparáveis.

 assistir a entrevista:

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/videos-veja-entrevista/erlei-sassi-psiquiatra-e-psicoterapeuta-o-transtorno-borderline-tem-cura-os-sintomas-podem-ser-controlados-ate-desaparecerem/

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O exercício de ser seguidor

Segundo texto da série que presta homenagem ao educador Rubens Junqueira Portugal.

Um grande líder inspirador que trabalhou para a melhoria da educação pública.


Imagem de um pássaro paranaense sobrevoando Faxinal do Céu- PR - local dos eventos chamados PROGEST (Programa de aprimoramento da gestão na educação realizados pelo Instituto Rubens Portugal).


O exercício de ser seguidor


A vida é bem assim. Esse texto é uma simulação da vida bem como ela é. Em cada lugar que você atua a situação varia. É como numa loteria social. Hoje você é sorteado num ambiente ótimo. Amanhã poderá ser muito desagradável.

Há quem diga que os grupos sofrem emperramento porque não tem chefe para coordenar e enquadrar os causadores de emperramentos. Será?

Todo ser humano tem 39 chances de ser seguidor contra apenas um de ser líder ao longo da vida. Em outras palavras, temos de aprender a ser seguidores. Há muitos cursos de liderança e eu nunca vi um anúncio de curso para seguidores. Thomas Jefferson que foi presidente dos Estados Unidos era um seguidor quando recebeu a incumbência de redigir a Constituição. Queria voltar para casa porque já estava há alguns anos trabalhando na Constituinte. Os Pais da Pátria lhe disseram - se tu queres voltar para casa, trata de redigir logo essa Constituição.

No Japão as pessoas dão mais valor ao aprendizado para ser seguidor do que para ser líder. Pensando bem, é muito mais difícil ser seguidor. Principalmente quando você fica na situação de "presunto de sanduíche" - tem alguém acima de você e vários abaixo. Neste caso você tem que ser líder para os que estão embaixo e ser seguidor em relação ao seu superior imediato. Você vai ter que ter muito jogo de cintura.

As pessoas numa equipe precisam afinar seus instrumentos pelo comando do maestro. Isso exige disciplina intelectual. Cada pessoa pode ter as suas próprias idéias, mas não pode criar uma dissensão. A disciplina intelectual exige um novo processo de re-significação. E o que é re-significar?

Geralmente você tem sua própria opinião porque não consegue se livrar dela. No entanto, é necessário um constante re-significar de conceitos para afinar o seu pensamento ao do grupo. Em cada momento é necessário um policiamento para não haver uma defesa exagerada da opinião. A todo o momento você precisa estar tomando decisões que terão de ser coerentes com os pressupostos do grupo e não com os próprios. É bem assim que acontece na vida.

A educação, em última instância, ajusta você para o convívio construtivo. Suas tias quando se encontravam para o café da tarde tinham um convívio agradável, mas nem sempre construtivo. Provavelmente elas se gostavam e sentiam necessidade da proximidade física das demais. Tomavam café com bolos e recordavam incidentes do passado. Não é desse tipo de convívio que escrevo.

Escrevo sobre um grupo de pessoas que tem uma missão, tarefa ou desafio, que precisa construir uma solução para uma situação problema. Suas atitudes têm de ser construtivas e dinâmicas. Nada, pois, de reminiscências.

É desse tipo de educação que mais precisamos desenvolver. A educação para o convívio e para as novas formas de relações no ambiente de trabalho.

Na Idade Média não havia preocupação com esse tipo de educação para o convívio, para o trabalho em grupo, pois lá havia regras nítidas e claras: quem mandava e quem obedecia. A maioria era analfabeta. Só os monges que copiavam a Bíblia estavam condenados a passar a vida toda copiando na esperança de ganhar um bom lugar no paraíso.

Ao longo dos quinhentos anos após o renascimento, ainda as elites resistiram contra a disseminação do conhecimento. Para os aristocratas europeus, a plebe ignara teria mesmo que ficar cuidando dos animais.

O microcomputador é o libertador de Prometeu. Agora já podemos entregar o "fogo do conhecimento" aos mortais comuns sem que Zeus nos ponha acorrentados aos rochedos tendo abutres a nos comer o fígado.

No limiar do século XXI, o trabalho não é mais com correntes presas a pulseiras na canela como os senhores de escravos costumavam fazer. Nem como Henri Ford idealizou na esteira rolante das linhas de montagem. Agora, a Aséa Brown Bovery trabalha com equipes sem hierarquia, mas com missão. A liderança do século XXI é espontânea, mas estritamente submissa à tarefa coletiva que a equipe recebe. Todos os integrantes da equipe compartilham todas as informações. Não há segredos entre chefe e subordinados. A força da equipe decorre da unificação dos "mapas mentais" de todos os seus integrantes.

A força da liderança não decorre mais da autoridade formal ungida com óleos sagrados na cabeça do chefe. Não mais. É que, agora, todos os integrantes da equipe podem ser pensantes. Todos estão de posse de todas as informações pertinentes. Nas reuniões criativas e construtivas, é como se um anjo sobrevoasse a equipe com a solução do problema em suas mãos. E esse anjo invisível poderá pousar em uma das cabeças dos integrantes da equipe. Em qualquer uma. Até mesmo aquela que não a do líder.

O verdadeiro líder do Século XXI aguarda paciente e confiantemente que o anjo pouse em uma das cabeças... e nunca sabemos em qual será. O verdadeiro líder do Século XXI não se ofende e nem se sente inseguro se e quando o anjo pousa em outra cabeça que não a sua. Sua liderança vem exatamente de demonstrar sua imensa satisfação em ver que o anjo escolheu aquele ou aquela integrante de sua equipe.

Para que o anjo pouse na cabeça de seus integrantes é necessário que o líder deixe-o sobrevoar. Os seguidores devem assumir as próprias opiniões, mas acima de tudo respeitar a opinião daquele que pode estar iluminado por alguma brilhante ideia. Todos estão autorizados a pensar e dizer, entretanto precisamos, como adultos com idéias pré-concebidas, aprender a re-significar os próprios conceitos. Você está preparado para isso?



Rubens Junqueira Portugal

Horto Botânico - Faxinal do Céu - PR



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O transtorno mental de Robin Williams

Reportagem da revista exame do dia 12/08/2014 sobre a depressão de Robin Williams




A depressão fez mais uma vítima nesta semana. De acordo com a polícia da Califórnia, tudo indica que o ator Robin Williams tenha se suicidado por asfixia, na última segunda-feira, aos 63 anos. O vencedor do Oscar por “Gênio Indomável” e artista consagrado por filmes como “Sociedade dos Poetas Mortos” e “Patch Adams - O Amor é Contagioso” lutava contra a depressão e o vício em cocaína e álcool.

A notícia pegou o mundo inteiro de surpresa e levantou a importante questão que gira em torno dessa doença. Se não for tratada a tempo, ela pode ter um desfecho tão triste quanto o de Williams ou do humorista Fausto Fanti, que, no final de julho, também tirou a própria vida, possivelmente, em decorrência do sofrimento psíquico.

Na opinião do médico Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, políticas públicas voltadas para esse problema e um tratamento da mídia sem tabus poderiam ajudar a evitar consequências graves.

“Ao contrário do que se pensa, as pessoas não vão se matar se a mídia falar mais sobre o suicídio. O importante é a orientação sobre isso. Deve-se falar disso para prevenir”, afirma. Todos os anos, a ABP realiza uma caminhada no dia 10 de setembro para lembrar o “dia mundial da prevenção ao suicídio” e, nos locais em que acontece esse tipo de ação, segundo ele, a incidência tem parecido menor.

O psiquiatra diz que, em cada 100 pessoas com depressão grave, 15 cometem suicídio. O número é preocupante, mas pode ser revertido se preconceitos forem combatidos e informações forem divulgadas.

A seguir, você confere fatos que todo mundo deveria saber para lidar melhor com o problema.

Depressão é uma doença, não “frescura”

Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sofre de depressão é entender e fazer com que os outros entendam que ela não é “frescura”, mas uma doença, como hipertensão ou diabetes.

Isso significa que precisa ser tratada por um psiquiatra, capaz de orientar e, se necessário, medicar adequadamente o paciente. A psicoterapia em conjunto pode ser muito útil, mas o tratamento médico é essencial.

Preconceito só atrapalha a cura

“Psiquiatra é médico de louco e eu não estou doido”. Esta frase, lembrada por Silva, resume boa parte do preconceito que ainda existe em torno da depressão, dos transtornos mentais e até mesmo dessa especialidade da medicina. Por vergonha ou medo de que conhecidos fiquem sabendo, pacientes evitam procurar ajuda ou perdem um apoio importante dos entes queridos.

Com um amigo deprimido, não adianta só conversar

Outro efeito nocivo do tabu é a desconsideração da gravidade do quadro. Muita gente acredita, por exemplo, que basta conversar com a pessoa deprimida para resolver o problema. Nada mais ilusório.

É claro que o apoio, o consolo e a compreensão são estritamente necessários, mas frases como “Calma, vai passar” ou “Deixa isso para lá” não acrescentam e, dependendo da situação, podem ser prejudiciais. Se o paciente estiver com ideias suicidas, por exemplo, a melhor forma de ajudar é incentivá-lo a ir ao médico.

E falar coisas como “Poxa, mas você não está nem tentando ficar feliz” ou “Você poderia se esforçar mais para melhorar” é, na opinião do médico, maldade. “Isso é a mesma coisa que, se você usa óculos, alguém pedir para que tire as lentes e ordenar que enxergue tudo sem elas”, afirma o psiquiatra.

Os sintomas podem ser físicos e psíquicos

A tristeza e o desânimo podem ser sintomas da depressão, mas não são os únicos. De acordo com Antônio Geraldo da Silva, é possível haver sinais físicos, como perda ou ganho de peso, dores inexplicáveis no corpo e insônia ou sonolência em excesso.

Entre os sintomas psíquicos estão: desânimo intenso, cansaço, apatia, falta de vontade de fazer suas tarefas, falta de prazer, de alegria, choro fácil, temperamento explosivo, irritabilidade.

O diagnóstico, claro, precisa ser feito pelo médico, já que a chamada “síndrome depressiva” tem sintomas que podem ser confundidos com outras enfermidades, como o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo.

Qualquer pessoa pode ter depressão

Assim como grande parte das outras doenças, a depressão não “escolhe” alvos específicos. Segundo o psiquiatra, homens e mulheres, crianças, adultos e idosos podem ser acometidos pelo mal.

Esse fato vai de encontro com outro preconceito muito comum: o que diz que “pessoas bem-sucedidas ou ricas não deveriam ficar deprimidas”. Por esse raciocínio, quem não tem motivos aparentes para sofrer deveria ser imune.

A realidade, no entanto, é mais complexa. Há pessoas que têm mais propensão à doença devido à genética. Há outras que podem sofrer com o problema devido a suas condições de vida e o ambiente em que convivem.

De acordo com o médico, fatores como o uso de álcool e drogas, uma rotina muito estressante e noites sem dormir podem aumentar a incidência da enfermidade.

Depressão é uma das principais causas de afastamento do trabalho

Apesar de todo estigma existente em torno da depressão, ela é uma das principais doenças que acometem a humanidade atualmente. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial.

De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas.

Antônio Geraldo da Silva estima que 20% das pessoas já tiveram, têm ou ainda terão a doença ao longo da vida. Por isso, ele ressalta a importância de falar mais sobre o tema, dentro das empresas, na família, nos governos e na sociedade como um todo.
 
Reportagem: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/noticias/6-fatos-sobre-depressao-que-todo-mundo-precisa-saber