quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Medo e fobia de dentista




O tema deste mês é medo e fobia de dentista. Como uma fobia específica se caracteriza por um medo excessivo de situações ou objetos, é necessário conhecer o contexto odontológico para realizar um tratamento adequado. As técnicas de redução de ansiedade aplicadas em consultório são similares para a maioria dos transtornos de ansiedade, porém a condução do trabalho exige um aprofundamento do profissional nos detalhes envolvidos para criar técnicas adequadas de enfrentamento.


Trago este texto que é uma revisão da Universidade de Medicina Dental de Columbia que está disponível em inglês no site da colgate.com:



Comunicando com o seu dentista


Falar com o seu dentista é a chave para diminuir a angústia ou medo. A odontologia moderna pode ser quase indolor. Portanto, vale a pena conversar com seu dentista sobre seus medos e as possíveis opções de tratamento.


Você pode se sentir mais no controle se tomar parte nas decisões sobre o seu tratamento e isso pode ajudá-lo a se sentir menos ansioso. Seu dentista deve discutir com você todos os procedimentos que você pode precisar. Você pode ser capaz de realizar vários procedimentos em um mesmo momento ou executar uma série de intervenções mais curtas. Peça ao seu dentista para lhe descrever os tipos de controle da dor disponíveis. Em seguida, decidam juntos o tratamento mais adequado.


Para muitas pessoas é importante saber o que está acontecendo e o que está por vir. Peça ao seu dentista para explicar o que está acontecendo em todas as fases do procedimento. Quando você sabe o que o dentista está prestes a fazer a seguir é possível um preparo mental e assim diminuem os sustos e a expectativas negativas. 


Por outro lado, algumas pessoas podem se sentir menos ansiosas quando não sabem o que está acontecendo. Se isto é verdade para você, explique para o seu dentista que prefere que ele prossiga sem dar muitas explicações. Ele ou ela devem estar dispostos a adaptar-se a seus desejos sempre que possível.



Outra técnica útil na interação com seu dentista é criar uma comunicação não verbal. A ideia de não poder falar sobre a intensidade da dor durante os procedimentos pode ser angustiante. Uma das formas simples de resolver isso é criar um código com seu dentista que pode ser um sinal com a mão que indica que está sentindo dor além do normal. A ideia é fazer o profissional interromper o procedimento e averiguar o que está acontecendo.  Outro sinal pode ser apenas de pausa para que você possa enxaguar a boca ou simplesmente recuperar o fôlego por alguns segundos. Isto pode fornecer uma sensação maior de controle e aumenta a confiança no profissional.


O importante nos casos de ansiedade ou medo é admitir isso e criar um vínculo seguro com o profissional. Não sinta vergonha de discutir seus medos. Lembre-se que você não está sozinho. Os receios não são incomuns. Uma vez que seu dentista sabe quais são os problemas, ele será mais capaz de encontrar soluções viáveis.



Distração



Uma maneira de reduzir o estresse durante uma consulta odontológica é tentar distrair-se com algo mais agradável. Alguns dentistas fornecem fones de ouvido para que você possa ouvir música, ou você pode levar o seu próprio aparelho. Um crescente número de dentistas usam óculos de realidade virtual que permitem que você veja imagens e  escute e sons realistas. Esta pode ser uma distração bem-vinda nos casos de ansiedades menos intensas.



Controle da Dor



As pesquisas apontam que o medo da dor é a principal razão das pessoas evitarem a visita ao dentista. Mesmo aqueles que agendam consultas regulares citam o medo da dor como sendo um problema significativo.



Nos últimos anos os dentistas têm desenvolvido uma grande variedade de medicamentos e técnicas para lidar com a dor. Podem reduzir ou eliminar a dor durante a maioria dos procedimentos. Estes procedimentos incluem anestésicos tópicos para área da boca ou gengiva antes da injeção de um anestésico local; brocas laser que podem causar muito menos dor do que os modelos mecânicos convencionais.



Outro método menos utilizado é a anestesia eletrônica que pode ser utilizada como uma alternativa à injeção de anestésico local. Neste caso o dentista coloca eletrodos nas bochechas que transmitem uma corrente elétrica entorpecente na mandíbula. Alguns pacientes relatam que a anestesia eletrônica é mais eficaz do que os medicamentos, porém é um procedimento menos utilizado nos consultórios.



Para os casos mais graves onde o procedimento é mais urgente e não existe preparo psicológico do cliente que possui fobia ou pânico é possível recorrer a estimulação cerebral com eletroterapia, que é uma outra forma de anestesia eletrônica onde a eletricidade passa para o cérebro e faz você se sentir relaxado e "pesado". Neste caso é possível controlar a intensidade da corrente aumentando ou diminuindo conforme necessário para controlar a dor. Este é um método utilizado nos EUA, ainda pouco difundido no Brasil.



O óxido nitroso (gás hilariante) é uma das formas mais comuns de controle da dor na prática clínica. O gás pode fazer você se sentir relaxado ou mesmo eufórico. Os efeitos acabam rapidamente quando o gás é desligado. O óxido nitroso é normalmente utilizado como um recurso a adicional as estratégias convencionais e não como um substituto.

    

Outro recurso para casos mais graves de medo é a sedação endovenosa. Esta técnica é geralmente reservada para os pacientes que estão tendo extensos procedimentos odontológicos ou se você simplesmente apresenta sintomas elevados de ansiedade como taquicardia, respiração ofegante, vertigens ou até desmaios. Um tranquilizante é injetado em uma veia em sua mão ou braço. Você vai estar acordado, mas profundamente relaxado.



Em último caso ainda é possível recorrer a anestesia geral se o procedimento realmente for importante e o cliente não consegue enfrentar seus medos. Isso significa que você vai ser colocado para dormir durante todo o processo. Alguns dentistas têm o equipamento e pessoal para realizar a anestesia geral no consultório, mas o mais indicado é que seja feito no hospital com equipe especializada, pois efeitos secundários graves podem ocorrer. Estes podem incluir quedas na pressão arterial ou batimentos cardíacos irregularidades (arritmias). Por esta razão, a anestesia geral só deve ser utilizada quando outras formas de sedação ou controle da dor não são suficientes e para casos específicos.



Técnicas de Relaxamento



Métodos terapêuticos podem ser treinados previamente aos procedimentos dentários. A psicologia possui ferramentas eficazes para reduzir a ansiedade e o medo, porém é necessário que o cliente aprenda a técnica psicológica e agende seu procedimento dentário quando já está sentindo benefícios psicológicos. Desta forma sente que consegue controlar a ansiedade e consequente sentir menos dor por estar mais relaxado.



As técnicas de relaxamento funcionam porque regulam uma série de substâncias químicas no corpo. Quando você está tenso ou preocupado seu corpo libera substâncias químicas relacionadas ao estresse, como a adrenalina. Estas substâncias causam uma série de respostas físicas desconfortáveis. Os seus músculos se contraem e você respira mais rápido. Os receptores de dor no cérebro se tornam mais sensíveis.

Estudos têm demonstrado que as técnicas de relaxamento podem ajudar a reduzir os níveis de hormônios do estresse, bem como dor e ansiedade. As pessoas que praticam estas técnicas muitas vezes descobrem que suas respostas de medo diminuem ao longo do tempo.



Há muitos tipos de técnicas de relaxamento. Alguns dos mais eficazes incluem:



Imaginação guiada - Esta é uma técnica mental simples. O psicólogo ajuda a imaginar ter uma experiência agradável ou estar em um local tranquilo. A ideia é criar o máximo de detalhes mentais para acontecer uma distração realmente intensa que permita a execução dos procedimentos em segundo plano.  

   
A respiração profunda - Esta técnica envolve a respirar lenta e profundamente. É também chamada de respiração diafragmática. A respiração profunda inunda o corpo com oxigênio e outras substâncias químicas que relaxam o sistema nervoso central e ajudam a reduzir o desconforto.


O relaxamento progressivo – Esta é uma técnica que pode associar imaginação guiada e respiração profunda. É uma forma consciente de conduzir o relaxamento de todos os músculos do corpo. Pode ser iniciado com os dedos dos pés e seguir para todo o corpo até a cabeça ou vice- versa. O relaxamento progressivo reduz a tensão muscular, o que pode ajudar a reduzir a dor. Entretanto é necessário disciplina para executar o procedimento regularmente, pois só terá um efeito intenso com a condução de um profissional e/ou a repetição semanal.



Sedação



Sedativos, tais como o diazepam (valium) relaxam o sistema nervoso central. Isto é diferente de analgésicos, que bloqueiam a dor. Sedativos ajudam as pessoas a se sentirem mais calmas e mais relaxadas.



Dentistas muitas vezes evitam sedativos orais, porque eles geralmente levam cerca de 30 minutos para o trabalho. Os efeitos secundários tais como sonolência, podem durar horas. No entanto, um dentista ou médico, podem prescrever sedativos como parte de um plano global de tratamento.



Hipnose



Esqueça a imagem de Hollywood de alguém perder a consciência, enquanto olha para um relógio balançando. A hipnose é simplesmente uma técnica que cria um profundo estado de relaxamento. Os efeitos da hipnose são semelhantes aos efeitos de meditação.



Muitos terapeutas praticam a hipnose, e alguns dentistas estão familiarizados com a técnica. A auto-hipnose é eficaz para pessoas treinadas. No entanto, algumas pessoas obtêm melhores resultados quando trabalham com um profissional qualificado. Algumas pessoas com fobia pedem aos seus terapeutas para irem com eles para o consultório do dentista até que dominem as técnicas por conta própria.



Acupuntura e Acupressão



A acupuntura se originou na China mais de 4.000 anos atrás. Esta forma de medicina envolve inserção de agulhas em determinados locais, chamados de pontos de acupuntura. Pesquisas demonstram que a acupuntura pode ajudar o corpo a liberar endorfinas que aliviam a dor e ansiedade. Uma técnica relacionada é acupressão. Em vez de agulhas, a pressão é aplicada para os acupontos. A acupuntura está se tornando mais comum em medicina geral. Por enquanto, é uma raridade entre os dentistas. Essa é uma abordagem que ainda sofre preconceitos no ocidente.



Terapia



Psicólogos e psiquiatras costumam usar uma técnica chamada dessensibilização sistemática para superar uma fobia. Os pacientes são expostos de forma gradual,  controlada e cuidadosa, às situações que eles temem. Este é um tratamento eficaz para muitos tipos de fobias, incluindo fobia de dentista.



Outros tipos de terapia incluem a terapia cognitiva e comportamental. A terapia cognitiva ajuda as pessoas a desenvolverem estratégias práticas para superar a fobia do dentista. Na psicoterapia, as pessoas são encorajadas a entender de onde seus medos vêm e fazer as pazes com eventos difíceis no passado.



Outra opção é procurar clínicas e centros especializados e participar de treinamentos individuais ou em grupo. Muitas dessas clínicas estão localizadas em hospitais ou escolas de odontologia ou psicologia.




Fonte texto inglês - site colgate.com




Inseri alguns comentários no texto original, se quiser citar este texto, por favor revise o original no link indicado acima.



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Este é um blog que pretende ajudar quem tem medo ou fobia:



Pesquisa científica: