quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tratamento de fobia de agulha

Em parceria com o Laboratório de Análises Clínicas de Curitiba Imunizzare, finalizamos nesta semana o tratamento da fobia de agulha da minha querida paciente adolescente.

O trabalho realizado durante 2 meses com o método de exposição comportamental resultou no enfrentamento tranquilo da retirada de sangue. A paciente apresentava respostas físicas de medo e conduta agressiva em relação aos procedimentos. A técnica de exposição gradual utilizada neste caso consistiu em aproximações sucessivas do objeto temido sempre acompanhadas do psicólogo. A paciente manteve total controle do seu avanço em relação ao objeto (neste caso a agulha) e sempre realizou o próximo passo segura de que estava no controle das suas sensações.

A parceria com um laboratório de confiança é fundamental no processo, pois o paciente necessita se sentir seguro no local. Além da habituação com o local para que não seja sentido como um local inóspito, frio e temeroso, o preparo técnico e psicológico do profissional de enfermagem é algo imprescindível para o sucesso do tratamento. Neste caso, a profissional Adriana Melo apresenta todas as características necessárias, já que transmite segurança ao paciente, possui paciência e respeito à ansiedade e o medo e sabe a hora certa de agir. Além de todas as habilidades psicológicas citadas, costumo dizer que Adriana Melo possui "mãos de fada" fazendo com que a agulha seja quase indolor. Para os fóbicos que possuem medo da dor  ela é sempre a profissional que recomendo, pois a sensação da agulha é muito suave e praticamente indolor. 

O tratamento de medos e fobias exige disciplina do paciente e preparo técnico da equipe. Várias pessoas intensificam o medo de procedimentos invasivos por se sentirem vulneráveis e muitas vezes não foram respeitadas com sua ansiedade. Ainda escuto muitas queixas de que as pessoas tratam o assunto como frescura e exigem da pessoa um enfrentamento doloroso. Equipes despreparadas também podem agravar o problema quando não sabem lidar com as reações de medo com paciência e acolhimento. A sensação de segurança com os profissionais é condição principal para que o paciente confie que será respeitado e que ele poderá estar no controle da situação.  

Muitas pessoas sofrem com fobia de agulha, hospital e procedimentos médicos e desconhecem que existe tratamento psicológico para essas sensações desagradáveis e desproporcionais. Um mito recorrente é de que o tratamento será desagradável e dolorido e o paciente terá que sentir angústia e diversas sensações físicas negativas. Na prática o que acontece é justamente o contrário. O tratamento pode ser realizado com dessensibilização sistemática através da imaginação guiada e técnicas de relaxamento. Nesta forma de tratamento o paciente é treinado a relaxar profundamente e imaginar situações agradáveis no início do processo e gradativamente inserir na imaginação a presença do objeto temido. Com o treino do relaxamento o estímulo que anteriormente gerava uma sensação intensa de medo passa a não mais interferir negativamente, ou seja, fica associado à situação relaxante. Este é um tratamento gradual que não expõe o paciente ao perigo e nem força o contato com o objeto temido. É uma maneira segura e eficaz de tratar situações e objetos temidos. 

A exposição no processo de dessensibilização é inicialmente imaginária e a partir do momento que o paciente percebe suas mudanças favoráveis no contato com seu tema fóbico ele inicia a etapa de aproximações sucessivas na realidade. O contato na realidade ocorre somente quando o paciente se sente seguro e preparado e respeita uma lista de passos iniciando com as situações menos temidas até as mais temidas. Costumamos utilizar uma escala de 0 a 10 para identificar a intensidade das sensações, onde 0 é considerado ausência de sensação negativa e 10 representa o total desconforto. No fim de todo o processo, o contato com o objeto temido com ausência de sensação de medo é percebido de forma muito agradável pelo paciente, pois percebe que ele é capaz de controlar sua ansiedade e medo. Percebe também que é capaz de superar seus limites e não ser mais invadido por sensações negativas e intensas. O relato é sempre de realização pessoal. 

As técnicas comportamentais são bastante eficazes para redução de ansiedade e medo, porém vale lembrar que a forma ideal de tratamento é uma análise comportamental mais aprofundada, pois muitos fatores da personalidade e na forma de interagir com o mundo podem interferir nas respostas de medo de cada pessoa. A forma mais eficaz de prevenir o retorno de sintomas é entender a relação existente entre o medo e as demais áreas da vida e manter algumas práticas saudáveis aprendidas no processo terapêutico. 

Parabéns para minha corajosa Paciente pela conquista.


Imunizzare - Análises Clínicas Curitiba - Saldanha Marinho 2167


Mais informações sobre o tema:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872011000200007

https://psicologado.com/abordagens/comportamental/superacao-do-medo-de-janela-por-meio-da-dessensiblizacao-sistematica